O episódio da morte da menina Celeste em Emergência Radioativa é tocante, mas a história que aconteceu fora das telas foi ainda mais tensa. Em 26 de outubro de 1987, o sepultamento de Leide das Neves, de apenas seis anos, escancarou o pânico que tomou conta de Goiânia após o acidente com o Césio-137.
Mesmo três décadas depois, as cenas desse enterro continuam chocando quem pesquisa o caso. Resumo de Novelas relembra como o medo da radiação transformou um adeus em episódio de violência coletiva.
Medidas extremas para sepultar Leide e a tia
Leide das Neves e a tia, Maria Gabriela Ferreira, foram enterradas no Cemitério Parque, na capital goiana. Por conta da contaminação, cada corpo foi colocado em urna de chumbo, tão pesada que um guindaste precisou erguer os caixões até a cova. Para completar, as sepulturas receberam grossas camadas de concreto, tentativa de garantir que nenhuma partícula radioativa escapasse, embora especialistas assegurassem não haver risco para a população.
A decisão técnica alimentou o medo de quem vivia perto do cemitério. Moradores temiam a desvalorização dos imóveis e possíveis problemas de saúde, sentimentos que se multiplicaram graças à desinformação disseminada na época. Emergência Radioativa toca no assunto, mas não reproduz a sensação de pânico que dominou as ruas naquele dia.
Imagem: Internet
Protestos, pedradas e intervenção da Polícia Militar
Do lado de fora, o clima era de guerra. Centenas de pessoas se aglomeraram, gritando para impedir o cortejo fúnebre. Alguns atiraram pedras contra carros e contra quem participava da cerimônia, convencidos de que a proximidade com os caixões poderia comprometer sua saúde. A Polícia Militar foi chamada para abrir caminho e garantir que o enterro acontecesse.
A própria mãe de Leide passou mal ao ver a filha ser sepultada em meio a tanto tumulto. O caos registrado ganhou repercussão internacional e mostrou que, além da radiação invisível, o medo coletivo deixou cicatrizes profundas na capital goiana. A série Emergência Radioativa se baseia nesses fatos, mas o episódio real foi ainda mais brutal, marcado por violência física e emocional que segue viva na memória do país.
