“Emergência Radioativa”, nova série da Netflix, estreou em 18 de março exibindo o maior desastre radiológico já registrado fora de usinas nucleares. A produção rapidamente dominou as conversas, mas a polêmica em torno dos bastidores ganhou quase tanta atenção quanto a trama.
Moradores de Goiânia, palco real do acidente com Césio-137 nos anos 1980, reclamam da decisão de gravar tudo em São Paulo. Para eles, a escolha ignora a memória das vítimas e deixa de mostrar a cidade onde a história realmente aconteceu.
Por que Goiânia se sentiu excluída
A indignação cresceu depois que o Conselho Municipal de Cultura divulgou carta aberta questionando a Netflix. O texto defende que Goiânia possui infraestrutura para receber uma superprodução como “Emergência Radioativa” e que recriar cenários em outro estado seria desnecessário.
Segundo o conselho, filmar no local original valorizaria a história, traziria empregos para a região e mostraria respeito às famílias que ainda convivem com as marcas do acidente. A reação ecoou nas redes sociais, onde internautas reforçaram a hashtag pedindo valorização da capital goiana.
Cobrança por descentralização
A discussão expôs a velha queixa sobre a concentração de projetos audiovisuais no eixo Sudeste. Críticos lembram que contar a história onde ela ocorreu daria mais autenticidade à narrativa e ajudaria a reduzir desigualdades de investimento cultural pelo país.
Imagem: Divulgação
O acidente com o Césio-137 voltou aos holofotes
Na série, “Emergência Radioativa” reconstitui o momento em que dois catadores encontraram um aparelho radioterápico abandonado em uma clínica, retiraram o material interno e o levaram para um ferro-velho. Encantados pelo brilho azulado do pó, moradores manusearam a substância sem saber do perigo.
O resultado foi trágico: mortes, sequelas permanentes e um trauma coletivo que marcou Goiânia. O desastre de 1987 é considerado o pior episódio envolvendo Césio-137 em ambiente urbano, tema que o público de Resumo de Novelas agora revisita através da minissérie.
Memória e representatividade
Para muitos goianienses, ver “Emergência Radioativa” sem imagens da cidade reforça a sensação de apagamento histórico. A Netflix ainda não respondeu oficialmente às críticas, mas a polêmica já garantiu novos debates sobre onde e como o audiovisual brasileiro escolhe contar suas histórias.
