De vez em quando, um título surge do nada, assume o Top 10 da Netflix e vira assunto em todas as timelines. Foi exatamente assim com Confiança, suspense estrelado por Sophie Turner que parece ter conquistado o algoritmo antes mesmo de convencer o público.
O longa chamou atenção pela premissa forte: uma atriz famosa se recolhe numa casa afastada após um escândalo e, de repente, enfrenta invasores dispostos a tudo. Porém, bastam poucos minutos de exibição para perceber que a execução não acompanha a ideia.
Roteiro perde o rumo e mina a tensão
O maior tropeço está no texto. Em vez de focar no isolamento e no perigo iminente, a narrativa dispara reviravoltas aleatórias, troca de gênero sem aviso e abandona subtramas sem conclusão. O resultado é um quebra-cabeça sem encaixe, que troca suspense por confusão.
As decisões dos personagens reforçam o problema. A protagonista, que deveria agir com instinto de sobrevivência, toma caminhos ilógicos e dificulta a empatia do espectador. Não é diferente com os coadjuvantes: muitos parecem existir apenas para empurrar a história, jamais para torná-la crível.
Elenco empenhado, mas técnica não segura o filme
Sophie Turner entrega intensidade e tenta extrair verdade de diálogos repetitivos, limite que nenhuma performance consegue ultrapassar sozinha. Mesmo assim, seu esforço destaca ainda mais as fraquezas de um enredo que muda de direção a cada cena.
Imagem: Divulgação
Do ponto de vista visual, há méritos. A fotografia cria climas interessantes com jogos de luz e cor, e alguns planos sequências impressionam. Entretanto, quando o suspense falha, nem mesmo a estética sustenta a atenção: momentos que deveriam provocar medo acabam soando involuntariamente cômicos.
No fim, Confiança aparece como exemplo de que viralizar não significa qualidade. O algoritmo da plataforma impulsionou o título, mas a recepção mostrou frustração generalizada — sentimento ecoado por leitores do Resumo de Novelas e de outros sites dedicados a entretenimento.
Para quem busca um thriller coeso, vale ponderar antes de apertar o play. A experiência pode servir de curiosidade sobre o poder de recomendação da Netflix, mas dificilmente entrega a tensão prometida na sinopse.

